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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O estoicismo pode ajudar profissionais a enfrentar o preconceito?

*O estoicismo pode ajudar profissionais a enfrentar o preconceito?*

Sim — e “Apesar da sua idade” mostra como. O estoicismo ensina que não controlamos o olhar alheio, mas controlamos nossa resposta. Diante do idadismo, essa filosofia oferece três ferramentas poderosas: serenidade, coragem e ação consciente. A serenidade impede que o preconceito destrua a autoestima. A coragem permite confrontar injustiças sem agressividade. A ação consciente transforma dor em movimento. 

O livro revela que o estoicismo não é resignação; é autonomia emocional. Ele ajuda profissionais maduros a manter foco, dignidade e propósito mesmo em ambientes hostis. 

Para líderes, é uma forma de fortalecer a postura ética. Para empreendedores, é uma forma de manter clareza em meio ao caos. O estoicismo é, portanto, uma armadura invisível — não para evitar o impacto, mas para atravessá-lo com força interior.


Carlos Santarem o

*Conheça o livro* _Apesar da sua idade_ *e faça uma leitura de degustação*;

https://clubedeautores.com.br/livro/apesar-da-sua-idade-2

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#idadismo #preconceito #estoicismo

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Preconceito: o vício invisível das relações humanas

*Preconceito: o vício invisível das relações humanas*

O *preconceito* é um julgamento antecipado, uma ideia formada sem conhecimento real, que se apoia em estereótipos e medos. Ele é uma *reação automática da mente humana*, que busca simplificar o mundo para se sentir segura — e por isso, não há hipótese razoável de eliminá-lo definitivamente. Mesmo quando combatido, ele se adapta, muda de forma e se infiltra nas estruturas sociais, culturais e corporativas.

*O idadismo no mundo corporativo*

No ambiente de trabalho, o *idadismo* é uma das expressões mais sutis e persistentes do preconceito. Ele aparece quando:

  • profissionais experientes são vistos como “resistentes à inovação”;

  • vagas exigem “perfil jovem” como sinônimo de energia;

  • treinamentos e promoções priorizam quem “tem mais tempo de carreira pela frente”.

Essas atitudes não apenas excluem — elas *desperdiçam sabedoria, estabilidade e visão estratégica*, valores que só o tempo oferece. O idadismo corporativo é o preconceito que se disfarça de eficiência, mas na verdade é *miopia organizacional*.

*Como colocá-lo na “caixinha de atitude impensável”*

Não podemos eliminar o preconceito, mas podemos *reeducar o comportamento coletivo* para que ele se torne socialmente inaceitável. Isso exige:

  • *Políticas corporativas inclusivas*, que valorizem a diversidade etária como vantagem competitiva.

  • *Lideranças conscientes*, que enxerguem experiência como ativo, não obstáculo.

  • *Comunicação interna responsável*, que elimine expressões e práticas excludentes.

  • *Cultura de aprendizado contínuo*, onde idade nunca seja barreira para evolução.

Quando o preconceito — especialmente o idadismo — passa a ser visto como *atitude impensável*, ele perde espaço para se manifestar. Não desaparece, mas se torna incompatível com o que chamamos de *maturidade social e organizacional*.

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Carlos Santarem

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#apesardasuaidade #newsletter #idadismo #preconceito 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Ecos de Idade no Trabalho

*Ecos de Idade no Trabalho*

O idadismo no mundo corporativo não nasce apenas de políticas mal desenhadas ou de culturas organizacionais frágeis. Ele brota, sobretudo, de um terreno muito mais profundo: *o instinto humano de autopreservação*. Quando profissionais mais jovens percebem a presença — ou a ascensão — de colegas “com mais tempo de vida”, muitas vezes interpretam isso como ameaça ao próprio espaço, ao próprio futuro, à própria narrativa de mérito. E é nesse ponto que o preconceito se infiltra silenciosamente, como *um mecanismo de defesa mal calibrado*.Nenhuma política empresarial, por mais bem‑intencionada, consegue tocar completamente esse núcleo emocional. Da mesma forma, políticas públicas podem orientar, mas não conseguem dissolver o medo íntimo de ser substituído, superado ou tornado irrelevante. Assim, o idadismo se entranha nas relações diárias: na escolha de quem é ouvido, de quem é promovido, de quem é convidado para projetos estratégicos. Ele se manifesta em olhares, em silêncios, em piadas, em convites que nunca chegam.O paradoxo é evidente: ao tentar proteger seu próprio lugar, muitos profissionais acabam empobrecendo o ambiente onde trabalham. Perdem a chance de aprender com quem já percorreu caminhos longos, de integrar perspectivas diversas, de construir pontes entre gerações.Talvez a pergunta mais honesta que cada leitor possa fazer a si mesmo seja: *onde, exatamente, esse medo vive em mim?* E, ao reconhecê‑lo, que impressão pessoal emerge sobre a forma como tratamos — ou evitamos — aqueles que carregam mais tempo, mais história e mais vida dentro das empresas.

Carlos Santarem

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#apedardasuaidade #idadismo





segunda-feira, 1 de junho de 2026

Esperança Experiente em Tempos Desafiadores

*Esperança Experiente em Tempos Desafiadores*

O Brasil atravessa um período complexo, mas isso não significa ausência de caminhos — especialmente para quem carrega décadas de vivência, resiliência e capacidade de reinvenção. Cada desafio do cenário atual também revela brechas de oportunidade para quem sabe olhar além da superfície.

*Eleições tumultuadas* — A instabilidade política afeta decisões empresariais, mas também abre espaço para profissionais experientes que saibam navegar incertezas e oferecer visão estratégica em momentos de transição.

*Crises de corrupção* — Embora desgastantes, essas crises impulsionam a busca por governança, ética e transparência. E poucos perfis são tão valiosos nesse processo quanto aqueles que já viram ciclos econômicos, erros e acertos se repetirem.

*Mudanças na legislação trabalhista* — A insegurança das empresas diante de novas políticas públicas gera cautela, mas também demanda profissionais maduros capazes de interpretar cenários, orientar equipes e reduzir riscos.

*Interesses estrangeiros na economia* — Intervenções externas criam incertezas, mas reforçam a importância de quem entende o mercado local, conhece sua história e sabe construir estabilidade em meio à volatilidade.

*Meritocracia que penaliza a idade* — O etarismo ainda existe, mas está sendo cada vez mais questionado. Empresas começam a perceber que maturidade não é custo: é ativo estratégico.

Mais do que nunca, enfrentar esse cenário exige lucidez e coragem. Em uma sociedade ainda marcada pelo *idadismo*, enxergar além das sombras — como propõe a Alegoria da *Caverna de Platão* — é um ato de libertação. Compreender como a *Janela de Overton* molda o que se torna aceitável ajuda a interpretar mudanças repentinas no mercado. E adotar a serenidade prática do *Estoicismo* fortalece a mente para seguir adiante sem se paralisar.Nesse caminho, livros como *Apesar da Sua Idade* lembram que experiência não é peso — é potência. E que, mesmo em tempos difíceis, há sempre espaço para quem continua caminhando com *sabedoria, dignidade e esperança*.

Caros Santarem

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#apesardasuaidade #idadismo #newsletter



quarta-feira, 27 de maio de 2026

Jornada até a Capa

*Jornada até a Capa*

A capa de Apesar da sua idade finalmente ganhou forma — e não foi um caminho simples. Chegar a um desenho que expressasse a essência do livro exigiu muitas tentativas, ajustes e conversas. Cada rascunho descartado ajudou a revelar o tom sensível da obra, até que a imagem certa emergiu, traduzindo sua alma com delicadeza.

Carlos Santarem 

#idadismo, #etarismo, #preconceito #livro

terça-feira, 26 de maio de 2026

Movimento +D60: Força e Inspiração

*Movimento +D60: Força e Inspiração*

O +D60 é um movimento vibrante que celebra quem chegou aos 60 anos e escolheu viver com alegria, propósito e conexão. A cada dia, mais pessoas descobrem que maturidade é sinônimo de liberdade e sabedoria. Em breve, o livro “Apesar da sua idade – sabedoria, liberdade e coragem na maturidade” mostrará _como enfrentar o idadismo com lucidez e força interior, inspirando-se na Caverna de Platão, na janela de Overton e no Estoicismo_.  
Participe do movimento, compartilhe nossos posts e nos ajude a divulgar o livro que transforma o olhar sobre a idade.

Carlos Santarem

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*Importante*: Em breve, estará nas prateleiras o livro *Apesar da sua idade - Sabedoria, Liberdade e Coragem na Maturidade*
Como enfrentar o idadismo e conduzir a vida com lucidez, propósito e força interior à luz dos ensinamentosda Caverna de Platão, da Janela de Overton e do Estoicismo.

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#livro #idadismo #preconceito

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O peso da idade

*O peso da idade*

Humberto sempre acreditou que o tempo era um aliado — um mestre silencioso que lapidava a experiência, afinava o olhar e fortalecia a serenidade. Mas, aos 50 anos, descobriu que o mesmo tempo que o moldara agora parecia ser usado contra ele.

Quando soube que não assumiria a Gerência da nova filial do restaurante em Goiânia, sentiu o chão ceder. O feedback da empresa foi curto, quase impessoal: *“Optamos por um perfil mais alinhado às novas diretrizes estratégicas.”* Nada mais. Nenhuma explicação concreta, nenhum reconhecimento de suas décadas de dedicação. Apenas uma frase que ecoava como um veredito.

Seus colegas, porém, não tiveram dúvidas. *“Foi idade, Humberto. Só isso”*, diziam, indignados. Ele, por sua vez, não podia afirmar — mas sentia. Sentia no olhar apressado dos gestores, na forma como suas sugestões passaram a ser ouvidas com menos brilho, como se a sabedoria acumulada fosse um peso e não um valor.

Nos dias seguintes, Humberto mergulhou em silêncio. Observava as filhas gêmeas brincando na sala e se perguntava que tipo de exemplo queria deixar. *A crise existencial não era apenas sobre o trabalho; era sobre significado*. Sobre o que fazer quando o mundo insiste em medir valor por cronologia e não por profundidade.

Decidiu, então, que não permitiria que aquela escolha definisse sua história. Se a empresa via nele apenas idade, ele próprio enxergaria possibilidade. Talvez um novo caminho, talvez um negócio próprio, talvez apenas a chance de viver com mais autenticidade.

Humberto percebeu que, no fim, o tempo não o abandonara. Apenas o convidava a recomeçar.

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

No salão “Brilho Eterno”

*No salão “Brilho Eterno”*, Dona Lúcia — 72 anos, postura impecável e olhar afiado — entra decidida para retocar o cabelo.

A recepcionista, recém-contratada e cheia de certezas infundadas, abre um sorriso automático:

— Bom dia, senhora! A senhora quer um tonzinho mais discreto, né? *Algo “adequado à idade”.*

Dona Lúcia arqueia uma sobrancelha, como quem já viu três gerações cometerem o mesmo erro.

— Minha filha, eu vim fazer mechas rosa-choque. Discreto é o seu preconceito.

A recepcionista engasga. O salão inteiro vira para olhar.

O cabeleireiro veterano, que conhece Dona Lúcia há anos, aparece rindo:

— Já preparei o rosa, Lúcia. E deixei separado o glitter, caso a senhora queira humilhar mais alguém hoje.

Ela sorri:

— Glitter sempre ajuda.

E sai desfilando até a cadeira, enquanto a recepcionista aprende, em silêncio, que idade não determina cor, estilo ou ousadia — só experiência.

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A Luz Que Elas Encontraram

*A Luz Que Elas Encontraram*

Dora sempre fora referência no mundo corporativo, mas, ao perceber os primeiros sinais da idade, algo nela se quebrou. *Começou a duvidar do próprio valor*, como se cada ruga apagasse um capítulo da sua trajetória. Nas reuniões, sentia-se deslocada; ao olhar para o passado, parecia observar a vida de outra pessoa. O medo de perder espaço — social, profissional, simbólico — a acompanhava como uma sombra insistente.

Antes que essa sombra se tornasse abismo, Dora encontrou no estoicismo um fio de resgate. Aprendeu a separar o que dependia dela do que era apenas expectativa alheia. Redescobriu sua competência, sua calma, sua força. Voltou a ocupar seu lugar, agora com uma lucidez que não tinha aos trinta.

*Walkiria, por outro lado, caiu fundo*. A depressão a tomou antes que percebesse. Passou por antidepressivos, consultas intermináveis, até encontrar um analista renomado que a ajudou a reorganizar o mundo interno. O turning point veio quando ingressou num grupo de leitura do livro Apesar da Sua Idade. Lá, conheceu Dora. Lá, reencontrou esperança.

No final, ambas venceram. Dora pela filosofia; Walkiria pela terapia e pela palavra compartilhada. Cada uma, à sua maneira, saiu da caverna de Platão — descobrindo que a luz não está na juventude, mas na coragem de enxergar a si mesma com verdade.

Carlos Santarem 
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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Entre o elogio e a ferida

*Entre o elogio e a ferida*

Há situações que nos atravessam de modo silencioso, quase imperceptível, mas que deixam um rastro profundo de reflexão. Na academia ao ar livre onde treino — um espaço vibrante, cheio de gente muito mais jovem do que eu, com meus 72 anos — vivi uma dessas cenas. No meio da série de exercícios, o professor, querendo incentivar, lançou: *“Vai lá, macho velho!”*. A frase veio embalada em entusiasmo, mas carregava um rótulo que não passou despercebido. Entre o elogio e a ferida, havia ali um preconceito declarado, ainda que naturalizado.

E eu? Eu fui. Fui sem responder, mesmo estudando o idadismo há anos, mesmo com um livro prestes a ser lançado sobre o tema. Fui, como tantos vão: calado. Depois, fiquei pensando na dificuldade que temos de reagir a esses comentários que misturam afeto e estigma. *Será que precisamos estar sempre armados de respostas, prontos para educar o outro sobre como nos nomear?*

A pergunta que emerge é: _como podemos nos posicionar sem transformar cada interação em confronto, mas também sem reforçar o silêncio que sustenta o preconceito._

O que eu deveria ter feito? Talvez apenas nomear o incômodo com serenidade — não para corrigir alguém, mas para afirmar a dignidade que a idade não diminui.

O que eu deveria ter dito? “Velho é o seu preconceito, Mestre!"

Carlos Santarem 
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terça-feira, 5 de maio de 2026

Refletir Antes do Tempo

*Refletir Antes do Tempo*

Aos 30 e poucos, o idadismo pode parecer distante, mas é agora que a consciência faz diferença. Envelhecer é um caminho comum e combater o preconceito hoje é garantir respeito para nós mesmos amanhã. Apoiar a Turma +D60 é reconhecer que experiência é riqueza, não obstáculo. *Compartilhe este recado com quem está entre 30 e 40 anos e ajude a transformar a cultura da idade*. Turma+D60.

Carlos Santarem 
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#apesardasuaidade #idadismo

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Passos Sem Idade

*“Passos Sem Idade”*

No grupo de caminhada, os jovens começaram a cochichar quando viram os idosos chegando. Um deles comentou:

*— Ih, hoje o ritmo vai cair…*

Dona Lúcia, 72 anos, ouviu, sorriu e respondeu:

— Vai cair nada, meu filho. A gente só não corre atrás de ônibus porque já aprendeu que sempre vem outro.

Os jovens riram, meio sem graça. Seu Arnaldo, 78, completou:

*— E se vocês cansarem, a gente empresta experiência. Pesa menos que ego.*

No fim da trilha, quem estava ofegante eram os jovens. Já os idosos? Conversando, rindo e planejando o açaí pós-caminhada.

Dona Lúcia ainda lançou a última:

— Juventude é ótimo, mas saber dosar o fôlego é melhor ainda. Querem que a gente ensine?

Carlos Santarem 
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Voz Firme em Terreno Frágil

*Voz Firme em Terreno Frágil*


Álvaro respirou fundo antes de entrar na sala. Aos 47 anos, sabia que entrevistas não eram apenas sobre competências, mas sobre navegar expectativas silenciosas. Karen, 27 anos, o recebeu com um sorriso profissional, mas seus olhos denunciavam curiosidade — talvez até dúvida.

— “Vejo que você tem bastante experiência… mas não acha que sua idade pode dificultar acompanhar o ritmo de uma loja tão dinâmica?”  
Álvaro ajeitou os óculos, sem perder a serenidade.  
— “A experiência me ensinou a adaptar rápido. Ritmo não é sobre idade, é sobre disposição. E essa eu tenho de sobra.”

Karen anotou algo, pensativa.

— “E trabalhar com uma equipe majoritariamente feminina… acredita que pode ser um desafio?”  
Ele sorriu, com a calma de quem já viveu o suficiente para reconhecer armadilhas sutis.  
— “Liderança é sobre ouvir, respeitar e criar ambiente seguro. Gênero nunca foi critério para mim. Competência, sim.”

A recrutadora cruzou as pernas, agora mais atenta.

— “Alguns candidatos mais jovens afirmam ter mais energia. Como você se compara?”  
— “Energia é importante. Mas energia sem direção se perde. Eu trago foco, maturidade e a capacidade de evitar erros que custam caro.”

A cada resposta, Álvaro desmontava preconceitos com elegância, como quem abre janelas em um quarto abafado. Karen percebeu que, em vez de se defender, ele iluminava.

Quando a entrevista terminou, ela estendeu a mão com convicção renovada.  
— “Álvaro, sua postura foi… inspiradora.”

Ele apenas agradeceu, mas ao sair sentiu algo raro: a certeza de ter sido visto pelo que realmente era. Karen, por sua vez, já se inclinava a contratá-lo — não por idade, mas por lucidez.

Carlos Santarem 
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terça-feira, 28 de abril de 2026

Pressão em Diminutivo

Pressão em Diminutivo

Euclides, 55 anos, sempre foi disciplinado nos treinos da academia do condomínio. Naquela manhã, porém, um passo em falso durante o exercício o fez cair, torcendo o pulso esquerdo. A dor era aguda, e um dos dedos começou a inchar rapidamente. Dois colegas — Mauro, de 40 anos, e Dona Lídia, de 69 — o acompanharam até a clínica mais próxima.

Assim que chegou, mediram sua pressão, que estava um pouco acima do normal. Nada surpreendente para quem, segundo a turma da academia, sofria da síndrome do jaleco branco — aquela reação comum em que a ansiedade diante de profissionais de saúde faz a pressão subir temporariamente.

O que realmente o incomodava, porém, não era o pulso latejante. Era o modo como as técnicas de enfermagem falavam com ele, usando diminutivos como se ele tivesse quatro anos — ou como se todo idoso só pudesse ser tratado assim.

“Mostra o dedinho pra gente.” “Vamos medir a pressãozinha agora.”

Mauro segurava o riso. Dona Lídia revirava os olhos. Euclides respirou fundo. Quando a terceira técnica repetiu “vamos cuidar desse bracinho”, ele sorriu com gentileza e disse:

— Moça, agradeço muito o cuidado. Mas prefiro que fale comigo normalmente. Esses diminutivos me deixam desconfortável.

As técnicas se entreolharam, coraram e pediram desculpas. Ajustaram o tom imediatamente. Euclides, aliviado, sentiu a pressão — finalmente — começar a baixar.

Carlos Santarem 
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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Entre o Peso e o Voo


*Entre o Peso e o Voo*


Marcos caminhava lentamente pelo corredor da escola, sentindo o eco de risadas abafadas que não eram para ele, mas sobre ele. Aos 59 anos, professor de educação física há décadas, carregava no corpo a vitalidade de quem ama o que faz — e, na alma, *o cansaço de quem enfrenta diariamente o preconceito etário mascarado de brincadeira*. “O vovô do apito chegou”, diziam alguns colegas, sempre sorrindo, sempre dissimulados. A política da empresa pregava diversidade, mas a prática, Marcos sabia, era outra história.

Ainda assim, os alunos o adoravam. Ele era o professor que lembrava aniversários, que incentivava os tímidos, que enxergava potencial onde outros viam apenas números. Mas, nos últimos meses, até esse carinho parecia insuficiente para silenciar a pergunta que o perseguia: vale a pena continuar onde já não me querem inteiro?

Numa tarde chuvosa, enquanto recolhia bolas na quadra vazia, recebeu uma ligação inesperada. Um headhunter de uma empresa conceituada o procurava. “Marcos, seu nome nos foi indicado como referência. Temos uma proposta que acreditamos combinar com seu perfil e sua experiência.” A oferta era tentadora: salário maior, ambiente colaborativo, valorização explícita da maturidade profissional.

Ele passou dias refletindo. Lembrou-se de quando, aos 30, acreditava que envelhecer no mesmo colégio seria sinônimo de respeito. Lembrou-se também de cada comentário maldoso, de cada reunião em que sua opinião era ignorada, de cada olhar que o tratava como ultrapassado. Perguntou-se se permanecer seria resistência ou teimosia. Perguntou-se se partir seria fuga ou libertação.

Na manhã seguinte, ao entrar na quadra, viu um grupo de alunos segurando um cartaz: “Professor Marcos, você nos inspira.” Sorriu, emocionado. Mas, pela primeira vez, entendeu que inspiração não precisa ser estática.

Marcos aceitou a proposta. Não por desistir, mas por escolher continuar sendo quem sempre foi — em um lugar que o reconhecesse por isso.

Carlos Santarem 
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domingo, 26 de abril de 2026

As previsões de Praemonitor

*As previsões de Praemonitor*
Ó veneráveis da Turma +D60, preparem-se: o idadismo corporativo virá disfarçado de “inovação disruptiva” e “perfil dinâmico”. Ainda haverá jovens gurus de PowerPoint tentando ensinar o óbvio com entusiasmo de mascote, desprezando as ideias e avisos dos "mais vividos". Resistam. Mostrem que sabedoria não envelhece — apenas sabe mostrar exatamente quanto vale.

— Oráculo Praemonitor

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terça-feira, 21 de abril de 2026

Não é sobre envelhecer. É sobre despertar

*Não é sobre envelhecer. É sobre despertar*

*Em breve, um livro que desafia tudo o que você já ouviu sobre envelhecer*. Apesar da sua Idade chega para iluminar a maturidade com a força de três pilares atemporais: a lucidez da *Caverna de Platão*, o poder transformador da *Janela de Overton* e a serenidade prática do *Estoicismo*.

Uma obra que desmonta o idadismo, expande horizontes e mostra como conduzir a vida com propósito, liberdade interior e coragem — não apesar da idade, mas *por causa dela*.

Prepare-se para uma leitura que provoca, inspira e liberta. *O lançamento está próximo*. E talvez seja exatamente o livro que você esperava para viver a sua melhor fase.

Carlos Santarem

Saiba mais em https://vozdoautor.blogspot.com/

#apesardasuaidade #idadismo

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Perfil em Reconstrução

 

Perfil em Reconstrução

Julia encarava a tela como quem encara um espelho que insiste em devolver verdades inconvenientes. Precisava escrever um texto curto para o LinkedIn sobre sua demissão — curto, elegante e, sobretudo, diplomático. Nada de mencionar idadismo, embora ele estivesse ali, sentado ao seu lado, tomando café e rindo da situação.

Ela começou com elogios à empresa, famosa por sua política de diversidade. “Ambiente inspirador”, escreveu, enquanto lembrava das reuniões em que era chamada de “experiente demais” para projetos “dinâmicos”. Apagou. Reescreveu. Ajustou o tom. O LinkedIn, afinal, aprecia positividade.

Depois de três versões e meia crise existencial, concluiu um parágrafo impecavelmente neutro, daqueles que poderiam ter sido escritos por qualquer pessoa — inclusive por quem a demitiu.

Respirou fundo, clicou em “Salvar” e, num gesto quase simbólico, ativou o “Open to work”. Sorriu com ironia. O mundo corporativo adorava discursos sobre inclusão, desde que não precisasse praticá-los.

Fechou o laptop certa de uma coisa: hipocrisia também tem excelente empregabilidade.


Carlos Santarem 
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domingo, 19 de abril de 2026

As previsões da semana

*As previsões da semana*
"Ó filhos valorosos da Turma +D60, preparem-se: na próxima semana, o idadismo corporativo poderá atacar com a sutileza de um rinoceronte em patins. Haverá olhares enviesados, piadinhas veladas e aquela clássica pergunta: “Você ainda dá conta?”. Respirem. Sorriam. E respondam com competência — *a arma que nenhum preconceito consegue engolir sem engasgar*".
— Oráculo Praemonitor

Carlos Santarem 
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segunda-feira, 13 de abril de 2026

O Peso do Primeiro Passo

*O Peso do Primeiro Passo*

Lourival atravessou o portão da indústria de cosméticos com a sensação de quem pisa em um território que já conhece, mas que, de repente, parece estrangeiro. Trinta anos de chão de fábrica, ajustes de máquinas, turnos noturnos e metas cumpridas — e, ainda assim, ali estava ele, sentindo-se um novato. O crachá novo brilhava no peito: Gerente de Produção. Um título que, para ele, significava responsabilidade; para alguns dos jovens subordinados, motivo de piada.

*“Lá vem o gerente da cota do idoso”*, ouviu sussurrado no corredor. Não era a primeira vez. Não seria a última. Lourival respirou fundo. Sabia que o preconceito, quando não é declarado, pesa mais. É como poeira fina: acumula sem que se perceba, até sufocar.

No primeiro dia, reuniu a equipe. Olhares dispersos, braços cruzados, celulares escondidos sob a mesa. Ele falou pouco. Preferiu observar. A juventude ali era vibrante, cheia de ideias, mas também carregada de certezas frágeis — como se a idade fosse um defeito e não um acúmulo.

Nos dias seguintes, Lourival não tentou impor autoridade. Preferiu caminhar pela linha de produção, conversar com operadores, ouvir reclamações antigas que ninguém mais lembrava de registrar. Ajustou uma máquina que vibrava demais, reorganizou o fluxo de embalagens, reduziu o desperdício de matéria-prima. Nada espetacular. Apenas trabalho bem-feito — o tipo de coisa que não aparece em relatórios, mas muda o ritmo de uma fábrica.

Aos poucos, os jovens começaram a notar. Primeiro, em silêncio. Depois, com perguntas tímidas. “*Como o senhor sabia que o bico estava desalinhado só pelo som?*” Ele sorriu. “A máquina fala. A gente é que precisa aprender a ouvir.”

Mas o verdadeiro teste veio no quinto dia. Uma falha no lote de cremes ameaçava atrasar toda a produção. A equipe entrou em pânico. Lourival, não. Ele pediu calma, dividiu tarefas, reorganizou turnos, ensinou um método antigo — porém eficiente — de inspeção manual. Em poucas horas, o caos virou controle.

Quando tudo terminou, um dos rapazes, o mais crítico, aproximou-se. “Desculpa aí… a gente achou que o senhor tava aqui só por… bom, o senhor sabe.” Lourival assentiu. “Eu sei. Mas competência não tem idade. Só história.”

Naquela noite, ao deixar a fábrica, ele percebeu que o respeito não se exige — se conquista. E que, às vezes, o maior desafio não é provar algo aos outros, mas lembrar a si mesmo do próprio valor.

*O preconceito, pensou ele, é sempre uma forma de cegueira. E sua missão ali talvez fosse essa: ajudar a equipe a enxergar além das aparências, inclusive as dele.*

Afinal, liderança não é sobre ser visto. É sobre fazer ver.

Carlos Santarem 
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