Indignação que Revela Coragem
A indignação diante do idadismo costuma vir acompanhada de um silêncio constrangido — aquele silêncio que, de tão educado, quase pede desculpas por existir. Muitas pessoas, ao serem alvo desse preconceito, sentem-se compelidas a justificar sua relevância, como se precisassemos apresentar um currículo atualizado para provar que ainda respiramos. Outras pessoas reagem reivindicando espaços, como quem disputa uma cadeira em um auditório lotado. Ambas as respostas, embora compreensíveis, acabam orbitando o ataque preconceituoso em vez de transcendê-lo.
Uma postura mais madura e espiritualmente lúcida exige algo diferente: não se omitir, não justificar e não reivindicar. Exige assumir a própria presença com a serenidade de quem sabe que o tempo não diminui valor — apenas revela camadas. A comicidade ácida aqui é inevitável: é curioso como alguns acreditam que envelhecer é um erro de cálculo, quando na verdade é o único projeto universal que todos estamos executando com sucesso.
As melhores atitudes diante do idadismo passam por gestos simples, porém firmes:
Nomear o preconceito com clareza, sem agressividade, mas sem suavizações, dizendo, por exemplo: “Esse comentário é idadista e não corresponde à realidade”. A clareza desarma.
Responder com fatos e exemplos, não para justificar-se, mas para iluminar a ignorância alheia.
Manter a postura ereta — física e simbólica — mostrando que experiência não é peso, é lastro.
Criar espaços de diálogo, não para reivindicar permissão, mas para exercer influência.
Demonstrar, com humor elegante, que a idade não rouba potência; apenas elimina pressa.
Nós não precisamos pedir licença. Precisamos apenas continuar entrando — e permanecendo — com a dignidade de quem já viu o suficiente para não se abalar por tão pouco.
Carlos Santarem
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