*Ecos de Idade no Trabalho*
O idadismo no mundo corporativo não nasce apenas de políticas mal desenhadas ou de culturas organizacionais frágeis. Ele brota, sobretudo, de um terreno muito mais profundo: *o instinto humano de autopreservação*. Quando profissionais mais jovens percebem a presença — ou a ascensão — de colegas “com mais tempo de vida”, muitas vezes interpretam isso como ameaça ao próprio espaço, ao próprio futuro, à própria narrativa de mérito. E é nesse ponto que o preconceito se infiltra silenciosamente, como *um mecanismo de defesa mal calibrado*.Nenhuma política empresarial, por mais bem‑intencionada, consegue tocar completamente esse núcleo emocional. Da mesma forma, políticas públicas podem orientar, mas não conseguem dissolver o medo íntimo de ser substituído, superado ou tornado irrelevante. Assim, o idadismo se entranha nas relações diárias: na escolha de quem é ouvido, de quem é promovido, de quem é convidado para projetos estratégicos. Ele se manifesta em olhares, em silêncios, em piadas, em convites que nunca chegam.O paradoxo é evidente: ao tentar proteger seu próprio lugar, muitos profissionais acabam empobrecendo o ambiente onde trabalham. Perdem a chance de aprender com quem já percorreu caminhos longos, de integrar perspectivas diversas, de construir pontes entre gerações.Talvez a pergunta mais honesta que cada leitor possa fazer a si mesmo seja: *onde, exatamente, esse medo vive em mim?* E, ao reconhecê‑lo, que impressão pessoal emerge sobre a forma como tratamos — ou evitamos — aqueles que carregam mais tempo, mais história e mais vida dentro das empresas.
Carlos Santarem
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