
*Idiotas Idadistas*
Idiota, para mim é, antes de tudo, é aquele que insiste em não aprender — mesmo quando a vida lhe oferece décadas inteiras de oportunidade. É o sujeito que atravessa os 60 com saúde razoável, alguma vitalidade e uma convicção equivocada de que isso lhe confere superioridade moral. A ironia é que, ao se sentir “jovem demais” para a velhice alheia, ele revela apenas insegurança mal disfarçada.
Esses personagens — chamemos de *etarianos inseguros ou idiotas idadistas*— exibem posturas não verbais agressivas diante de quem já chegou aos 80 ou 90. Um olhar atravessado aqui, um afastamento gratuito ali, como se a longevidade do outro fosse uma afronta pessoal. O gesto é pequeno, mas a covardia é enorme, e as pessoas ao redor notam. Notam porque a violência silenciosa também faz barulho.
O mais curioso é imaginar o futuro desse etarista fervoroso. Mantendo o ritmo, ele próprio chegará aos 80 — talvez até aos 90 — carregando a mesma arrogância que hoje exibe. E então descobrirá que a idade não perdoa ninguém, muito menos quem passou a vida tentando se diferenciar dos outros por critérios tão frágeis quanto o calendário.
A velhice, afinal, é democrática. O vexame, não.
Carlos Santarem
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