O grupo de jovens, entre 17 e 25 anos, vagava pelas ruas acreditando dominar a capoeira como se fosse uma arma de intimidação. Eram conhecidos por sua postura agressiva com os transeuntes e por pequenos roubos: celulares, alianças, cordões — especialmente de mulheres e idosos que não tinham como reagir.
Certo dia, avistaram um senhor de 72 anos, magro, branco, de óculos, caminhando com tranquilidade. No pescoço, brilhava um cordão antigo, presente de um mestre querido. Três rapazes se aproximaram, confiantes na própria audácia. O que não sabiam é que aquele senhor era o lendário Mestre Compasso, com 60 anos de capoeira no corpo e na alma.Quando tentaram arrancar o cordão, o tempo pareceu dobrar. Mestre Compasso girou como vento firme: um dos jovens foi derrubado com um golpe preciso que o fez perder o chão; outro recebeu um baque no rosto que o deixou atônito; o terceiro fugiu apavorado, sem olhar para trás.O bando aprendeu duas lições que ecoariam por muito tempo: nunca subestimar alguém pela idade e jamais confundir violência com a verdadeira arte da capoeira.
Carlos Santarem
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