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terça-feira, 10 de março de 2026

O Galinheiro das Plumas Ilustres

*O Galinheiro das Plumas Ilustres*

No vasto galinheiro onde milhões de frangos viviam apertados, a ração industrial era pouca, mas suficiente para mantê-los de pé — afinal, frango gordo demais não dá lucro, e frango morto antes da hora dá prejuízo. De tempos em tempos, um frango sumia. Mas como eram tantos, a ausência de um ou outro passava despercebida, como quem perde um grão de milho no terreiro.

A ordem era mantida por um seleto grupo de corvos: aves cultas, eloquentes, especialistas em discursos sobre paz, harmonia e “o bem de todos”. Eles caminhavam entre os frangos com ar professoral, garantindo que nada perturbasse a rotina produtiva do galinheiro.

O problema é que, vez ou outra, por pura distração ou falha nos controles internos, um frango crescia demais e virava galo. E galo, como se sabe, canta. E quando cantava questionando as ações dos corvos, logo surgiam os urubus — aves sombrias, encarregadas de resolver “problemas” com métodos pouco ortodoxos. Bastava um processo escuso aqui, uma bicada acolá, e o galinho inconveniente desaparecia como se nunca tivesse existido.

Tudo seguia nesse equilíbrio artificial até que, um dia, o papagaio de estimação de um dos corvos resolveu, sem aviso, cagar na cabeça de outros corvos. A sujeira foi tanta que os frangos, finalmente atentos, perceberam que o milho que deveria alimentá-los estava sendo desviado para corvos, urubus e até para o papagaio falastrão.

O cacarejo virou gritaria, a gritaria virou tumulto, e o galinheiro entrou em ebulição. Hoje, ninguém sabe como essa história vai terminar. Mas uma coisa já é certa: tem corvo bicando corvo, e isso os frangos nunca tinham visto antes.

Carlos Santarem 

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#corrupção


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