*A Farsa Meritocrática no Idadismo Corporativo*
A meritocracia, tal como é proclamada em muitas empresas, funciona mais como um mito conveniente do que como um princípio ético real. Quando o idadismo se infiltra nas estruturas organizacionais, esse mito se torna ainda mais evidente: a ideia de que “quem merece, alcança” desmorona diante de práticas que silenciam, descartam ou invisibilizam profissionais considerados "fora do prazo de validade", independentemente de sua competência.
*O discurso meritocrático promete neutralidade, mas a neutralidade é impossível quando o campo de jogo já está inclinado*. O idadismo cria barreiras simbólicas e materiais: expectativas reduzidas, oportunidades negadas, avaliações enviesadas. A empresa afirma premiar desempenho, mas premia conformidade com um ideal de juventude. Assim, o mérito deixa de ser medido pelo que se faz e passa a ser filtrado pelo que se aparenta.
No plano filosófico, isso revela uma contradição profunda: a meritocracia pressupõe igualdade de condições, mas o idadismo produz desigualdade estrutural. É como exigir que todos corram a mesma maratona enquanto alguns têm seus cadarços amarrados por estereótipos. A injustiça não está apenas no resultado, mas no próprio desenho da corrida.
Para o profissional com décadas de currículo, o impacto é duplo. Primeiro, há o apagamento simbólico — a suposição de que sua experiência vale menos do que a energia atribuída aos mais jovens. Depois, há o cerceamento concreto — promoções que não chegam, projetos que não são oferecidos, avaliações que ignoram décadas de contribuição. *A meritocracia, nesse contexto, torna‑se uma narrativa usada para justificar exclusões previamente decididas.*
Refletir sobre essa farsa é reconhecer que o problema não está na idade, mas na lente distorcida com que a idade é vista. Uma organização verdadeiramente meritocrática não teme a pluralidade etária; ao contrário, compreende que a diversidade de trajetórias é fonte de inteligência coletiva. O idadismo, porém, impede essa visão, reduzindo pessoas a cronologias e não a potências.
*Desmascarar essa lógica é um convite à lucidez: enquanto o idadismo persistir, a meritocracia será apenas um slogan — e não um valor.*
Carlos Santarem
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