*Oráculo das Ervas Sombrias*
Eu, que já fui consultado por reis inquietos e mendigos insones, anuncio hoje meu último sopro de clarividência. Não por cansaço — oráculos não se cansam — mas por pura falta de paciência com a humanidade e seus truques repetidos. Declaro solenemente que não farei mais previsões, nenhuma, exceto uma única e inevitável revelação: os canalhas estão se multiplicando.
Sim, multiplicam-se como ervas daninhas que brotam até no mármore polido dos templos. Espalham-se por solos próximos e distantes, como se tivessem descoberto um método infalível de germinação moralmente duvidosa. São criaturas virulentas, dedicadas a enfraquecer povos inteiros com a mesma devoção com que um parasita se apega ao seu hospedeiro — sem matá-lo, claro, pois até a canalhice exige certa manutenção da fonte de alimento.
Eu observo tudo isso do alto da minha nuvem de incenso, rindo com acidez. Porque, no fim, o espetáculo é sempre o mesmo: os canalhas prosperam, os ingênuos tropeçam, e vez por outra, como efeito colateral inevitável, morrerão algumas criancinhas. O universo é sutil, mas não é gentil.
Coroando todo cenário, ainda teremos a Copa!
E assim encerro minhas previsões. O futuro breve pertence aos canalhas — e a quem tiver coragem de arrancá-los pela raiz.
Carlos Santarem
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